terça-feira, 16 de novembro de 2010

De amor y de casualidad...

Hoje meu filho me fez uma pergunta daquelas que exigem que a gente respire um pouco, oxigene o cérebro e, mais que isso, exigem que a gente preste muita atenção ao coração da gente. Ele me perguntou: “Mamãe, quem você ama mais: papai ou eu?” Bem, apesar de gostar muito dos poemas da Cecília Meireles, em especial o que tem como título “Ou isto ou aquilo”, que fala claramente de escolhas, da necessidade intrínseca da vida que é o “fazer escolhas”, noto que esse é um daqueles casos em que fazer escolhas não vai te ajudar muito.

Já ouvi essa mesma pergunta do meu filho outras vezes. Milhares delas. Quase sempre tenho a impressão de que ele, lá no fundinho do coração dele, tem certeza de que ganha essa parada para o pai. Acho que ele pergunta só pra confirmar essa verdade dentro dele. Bem, mas se querem saber como me saio dessa enrascada, confesso que sempre respondo automaticamente: “Gosto o mesmo tanto, só que são amores diferentes!”. Pouco criativo, não é mesmo? Mas garanto, tem funcionado até hoje! Então, vale a máxima: “Em time que está ganhando, a gente não mexe.” E é assim que tem sido. Nesse nosso jogo (meu e do meu filho) a gente vai batendo essa bolinha. E saímos os dois vitoriosos e mais unidos pelo amor que sentimos um pelo outro.

Mas hoje me peguei pensando (e sentindo) algo um pouco diferente a respeito dessas questões. Talvez seja porque um dos meus dois homens (meu marido e meu filho) se encontra longe, lá na Espanha, travando sua batalha, nas arenas do saber: foi concluir sua tese de doutorado. Dei-me, então, ao luxo de “caraminholar” umas coisas: Como somos capazes de amar de infinitas maneiras as pessoas que amamos. Nesse caso que compartilho com vocês, um amor (entre homem e mulher) gerou outro amor (maternal, paternal e filial). Afinal cumprimos nossa grande missão, que nos foi designada por Nosso Pai: crescei-vos e multiplicai-vos!

Quando me conecto intencionalmente aos meus sentimentos e tento, às vezes sem sucesso, traduzi-lo em palavras ou mesmo pensar sobre eles, percebo que o amor que senti há 13 anos, subindo as escadas da FACED/UFBA, aquele que me tirava o fôlego, me fez ver uma verdade que sempre ouvi por aí, mas nunca acreditei nela: existe amor à primeira vista. Foi esse amor que senti quando vi o meu amor pela primeira vez: mas, aonde ele vai? Onde ele está? É exatamente aí que preciso estar. Senti que minha vida estava definitivamente ligada à vida daquela pessoa sobre a qual quase nada eu sabia, além do nome, e a quem eu já amava, mesmo assim. Esse é o tipo de amor que sinto até hoje pela mesma pessoa. O que muda é que agora sei mais algumas coisas a respeito dele. O fantástico é que mesmo assim, mesmo sabendo e vivendo as mesmas pequenas coisas diárias da rotina da nossa vida, olho pra ele e tudo em mim se renova. Redescubro os sentidos de estarmos juntos. Gostamos de rir um com o outro; gosto de dar músicas a ele de presente. Vê-lo abrindo um novo cd ou dvd e ver aquele sorriso largo dizendo que eu acertei em cheio mais uma vez! Não há nada que eu goste mais de presentear a ele do que música. A música é algo que nos une muito. Gosto de dizer a ele que o amo na voz de Vanessa da Mata, de Amy Winehouse, Ivete e Bethânia, Maria Rita, Marisa Monte, tantas mulheres das quais me aproveito pra dizer do meu amor por ele!

Com meu filho, nossa! Que prazer vê-lo sorrir, vê-lo comer (minhas amigas sabem do que estou falando, porque muitas delas têm muita dificuldade em fazer os filhos comerem). É indescritível o cheiro dele quando está dormindo. Eu gosto de ir à noite vê-lo dormir e aproveito pra dar um monte de cheirinhos nele. Nossa! Que delícia! Que delícia sentir o calor e a maciez da pele dele. Como alguém pode ser tão seu e ao mesmo tempo ser alguém com vida própria, com seus gostos e preferências! Gosto quando ele me abraça e diz que sou linda! Quando ele me diz que me ama. A gente brinca de fazer par ou ímpar (com melhor de três) pra ver quem ama mais naquele dia. Ele fica torcendo pra ganhar sempre (é uma graça). Gosto de vê-lo crescer, mas também sofro com isso. Por ele sou capaz de qualquer coisa, qualquer coisa mesmo! Inclusive sou capaz de dizer não a ele, de colocar de castigo e de brigar com ele! Nos dias de hoje estas estão se tornando verdadeiras provas de amor incondicional! Pois por mais que seja difícil às vezes, dou diariamente essa prova de amor ao meu filho: digo não!

É assim que me sinto ao amar os meus maravilhosos homens! Um amor construído na verdade e na diversidade!

PS: O título dessa postagem é uma homenagem a JORGE DREXLER, um maravilhso cantor-autor argentino. Quem ainda não conhece o trabalho dele ou quem curte e já é fã, pode dar uma olhada no link: http://letras.terra.com.br/jorge-drexler/209738/.
 

        

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