Dorme comigo uma eterna sensação de vazio.
Ela puxa meu lençol, toma meu café e me espreita,
diária e pacientemente...
Ontem, num momentâneo instante de lucidez,
lhe disse umas verdades na cara!
Arrumei suas malas, mas ela não foi embora.
Desceu as escadas, atravessou a rua e, novamente, voltou.
Se espalhou em meu sofá, escreveu meus emails e atendeu meu telefone.
Não reagi.
Hoje, ao acordar,
notei o sorriso do meu filho,
o calor das suas mãos em meu rosto
e o doce som da sua voz me dizendo:
"-Te amo, mamãe."
Fui tomada de uma desconfiança súbita:
Terá ido embora a sensação de vazio?
Fui ao quarto e não encontrei
o cinza do seu vestido,
o pó dos seus sapatos,
nem suas malas ou bagagens.
Estava plena de uma alegria indizível.
Os filhos são mesmo anjos protetores que jamais desistem da gente!
(AMVM)
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